Ingresso de estrangeiros na
bolsa é o maior em 17 anos

Se o mês já tivesse terminado, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) poderia comemorar a maior entrada líquida (compras menos vendas) de recursos de investidores estrangeiros em janeiro em pelo menos 17 anos.

Com injeção líquida de expressivos R$ 793,7 milhões na quarta-feira, o fluxo positivo do estrangeiro no mercado acionário doméstico passou a R$ 3,506 bilhões no acumulado do ano, até o dia 18. Esse valor é resultado da entrada de R$ 29,328 bilhões e da saída de R$ 25,822 bilhões - e ajuda a explicar a valorização de 8,8% acumulada pelo Ibovespa no período.

A aplicação líquida do estrangeiro neste mês é praticamente o dobro do saldo positivo registrado nos mesmos primeiros 13 pregões de 2011 (R$ 1,862 bilhão). É também o maior para o período desde 1996, segundo levantamento realizado pela BM&FBovespa.

Ao comparar o fluxo direto estrangeiro na bolsa neste ano com o registrado no fechamento de cada mês de janeiro desde 1996, nota-se também uma forte disparidade no volume total. No intervalo, o melhor saldo do aplicador internacional tinha sido visto na abertura de 2006, quando suas compras ultrapassaram as vendas em R$ 2,614 bilhões.
De acordo com operadores do mercado, os investidores estrangeiros têm mostrado preferência pelos papéis de maior peso na bolsa, com foco nas ações de Petrobras, OGX Petróleo e agora também nos papéis da Vale. Este ano, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras já subiram 13,8%, enquanto os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da estatal avançaram 15,6%. Já as ações ON da OGX ganharam 14,8%, e as PN classe A da Vale, 8,4%.

Levantamento do Barclays Bank com base em dados da consultoria americana EPFR Global confirma um movimento maior de apetite ao risco, com os investidores ainda atraídos por ações dos emergentes. O fluxo líquido de investimento em fundos de ações internacionais dedicados a papéis de mercados emergentes alcançou US$ 1,93 bilhão na semana encerrada dia 18. Já os fundos de bônus receberam US$ 172 milhões em igual período.





Fluxo positivo do estrangeiro no mercado acionário doméstico passou a R$ 3,506 bilhões no acumulado do ano, até o dia 18.

Enquanto o estrangeiro mostra apetite pela bolsa brasileira, o investidor local segue ressabiado com o mercado de ações. Tanto que, em janeiro, até o dia 18, o fluxo direto da pessoa física na Bovespa estava negativo em R$ 1,811 bilhão, assim como as vendas dos investidores institucionais superavam as compras em R$ 955,3 milhões. Na mesma direção, as empresas privadas e públicas já resgatavam R$ 263,8 milhões, ao passo que as instituições financeiras retiravam R$ 479,4 milhões.

Os estrangeiros são responsáveis pela maior participação na Bovespa até o dia 18, com 35,46% de todas as compras e vendas realizadas no período, seguidos pelos investidores institucionais, com 35,13%, e pela pessoa física, com 21,27%.

No mercado futuro, o estrangeiro segue apostando contra a bolsa. Sua posição "vendida" (aposta de baixa) em Ibovespa futuro atingiu 24.849 contratos na quinta-feira na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), um aumento de 449 contratos em relação aos dados do dia 18, mas ainda nos menores níveis desde abril de 2011. 

Fonte: Valor Econômico (23/01/2012)

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